A Meta construiu um protótipo de robô humanoide para ajudar em tarefas domésticas, segundo reportagem publicada no sábado (31) pelo site americano The Information. Chamado internamente de Max, o robô humanoide da Meta foi desenvolvido em cerca de três meses com a chinesa Fourier, empresa de Xangai especializada em robótica. De acordo com a mesma reportagem, a dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp já trabalha desde setembro numa segunda versão, apelidada de Max 2. A Meta afirmou ao site que o projeto é de pesquisa interna e que não pretende vender as unidades.
A informação ainda não foi confirmada publicamente pela empresa em anúncio oficial. O texto original, assinado pela jornalista Jyoti Mann, está restrito a assinantes, e os detalhes abaixo vêm da reportagem conforme relatada por veículos como Engadget, The Next Web e Humanoids Daily. O The Next Web, por exemplo, informa que não verificou a reportagem de forma independente.
Como é o Max, segundo a reportagem
Pelas informações atribuídas a fontes do The Information, o Max pesa cerca de 48 quilos e mede aproximadamente 1,5 metro de altura. No lugar do rosto, ele tem uma tela que reproduz expressões faciais, além de alto-falantes embutidos e mãos de cinco dedos pensadas para pegar objetos pequenos, como garrafinhas e brinquedos. O processamento fica a cargo do chip Jetson Thor, da NVIDIA, voltado justamente para robôs que precisam rodar modelos de inteligência artificial no próprio corpo, sem depender da nuvem.
O foco do projeto está na convivência com pessoas. Entre os requisitos de design descritos na reportagem, segundo o Humanoids Daily, estão reconhecer uma voz a cinco metros de distância, entender um aceno ou gesto a três metros, manter contato visual e mostrar quando está ouvindo, pensando, falando ou em dúvida. Vale notar que essas são metas de projeto, não resultados de testes divulgados.
A Meta exibiu o Max para parte dos funcionários num encontro interno de robótica no fim de agosto. Já o Max 2, em desenvolvimento desde setembro, deve trazer tronco redesenhado, mãos aprimoradas, um projetor e sensores extras para lidar melhor com escadas. Nenhuma das fontes indica data de lançamento de um produto para o consumidor.
Três meses dentro de uma fábrica em Xangai
A velocidade do projeto chama atenção. Segundo o The Next Web, a equipe de robótica da Meta viajou à China, e Li-Chen Miller, vice-presidente de produto para robótica da empresa, passou quase dois meses na fábrica da Fourier em Xangai durante o desenvolvimento. O Humanoids Daily relata que o Max é uma máquina personalizada, montada com hardware da Fourier e com a experiência de três gerações de robôs da empresa chinesa, mas com proporções, cabeça, tela e câmeras alteradas pelas duas equipes.
A Fourier existe desde 2015 e tem como cofundador e CEO Alex Gu. A empresa começou com exoesqueletos e, em julho de 2023, apresentou seu primeiro humanoide, o GR-1, na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai. Em 2024 veio o GR-2, com 1,75 metro e 63 quilos, e em agosto de 2025 a empresa lançou o GR-3, um humanoide de 1,65 metro que ela chama de “care-bot”, criado para fazer companhia, por exemplo, a pessoas idosas. A escolha de um parceiro chinês não é isolada: em 2025, segundo a Bloomberg, a Meta já havia conversado com a Unitree, fabricante do robô humanoide H2-X, que luta kung fu.

Um corpo para o agente de IA da Meta
O interesse da Meta em humanoides não está no hardware em si, mas no que ele pode carregar. Segundo o The Information, o diretor de tecnologia da empresa, Andrew Bosworth, descreveu internamente os humanoides como a forma física do Muse, o agente de inteligência artificial da Meta para o consumidor. A ideia, ainda de acordo com a reportagem, é que esse “corpo” consiga um dia executar tarefas da casa.
Ao site, um porta-voz da Meta afirmou que “esse esforço com a Fourier tem foco em pesquisa interna e experimentação, e não temos planos de vender essas unidades”. Na prática, o Max funciona hoje como uma plataforma de testes para a equipe de robótica da empresa. A declaração ajuda a separar o que existe do que ainda é aposta: há um protótipo construído e uma segunda versão em andamento, mas nenhum produto anunciado, nem preço ou previsão de chegada às lojas.
Como nasceu o projeto do robô humanoide da Meta
O Max é o capítulo mais recente de uma estratégia que veio a público em fevereiro de 2025. Na época, a Bloomberg revelou que a Meta havia criado uma equipe dentro da Reality Labs, a divisão dos óculos e headsets da empresa, para desenvolver robôs capazes de dobrar roupas, carregar copos de água ou colocar louça na lava-louças. Segundo o Engadget, o plano era fornecer sensores, IA e software para outras fabricantes, algo como ser “o Android dos androides”. Num memorando citado pela Bloomberg, Bosworth escreveu que as tecnologias já desenvolvidas na Reality Labs e em IA eram “complementares” ao que a robótica exige.
Em maio de 2026, a empresa deu outro passo e comprou a Assured Robot Intelligence, startup de San Diego que desenvolve modelos de IA para controlar humanoides. Os cofundadores Xiaolong Wang, Xuxin Cheng e Lerrel Pinto foram para o Meta Superintelligence Labs, o laboratório de IA avançada da companhia, e o valor do negócio não foi divulgado. O chip escolhido para o Max também conecta a Meta a esse ecossistema: no lançamento do Jetson Thor, em agosto de 2025, a NVIDIA citou a Meta entre as primeiras empresas a adotar a plataforma, ao lado de Amazon Robotics, Boston Dynamics e Figure.
O Jetson Thor, segundo a NVIDIA, entrega até 2.070 teraflops de processamento de IA (em precisão FP4) e 128 GB de memória, com consumo de até 130 watts. Em termos práticos, é o tipo de “cérebro” que permite a um robô interpretar imagens, voz e movimento em tempo real. O kit de desenvolvimento custa a partir de US$ 3.499 nos Estados Unidos, o que dá uma ideia de que humanoides domésticos ainda estão longe de ser baratos.
O que isso significa para o consumidor
Para quem está no Brasil, nada muda por enquanto. O robô humanoide da Meta não está à venda em nenhum país, a Meta diz que não pretende comercializá-lo e não há data de lançamento de um produto derivado. O que a reportagem mostra é a direção da empresa, que passa a disputar com outras gigantes um espaço em que robôs saem das fábricas e dos depósitos, como os mais de 1 milhão de robôs da Amazon, e entram nas casas.
Essa mudança traz perguntas que vão além da engenharia. Um humanoide doméstico com câmeras, microfones e um agente de IA conectado coleta informações sobre a rotina de uma família, e a Meta tem um histórico de disputas sobre privacidade, como a multa de US$ 25 bilhões por violar dados de usuários do Facebook. Como esses dados seriam tratados num eventual produto ainda é uma questão sem resposta, já que a empresa não detalhou publicamente o projeto.
O que acontece agora
O próximo marco conhecido é o Max 2, que já está em desenvolvimento, mas sem prazo divulgado. Segundo o Humanoids Daily, a reportagem também descreve contratações da área de robótica em Xangai e Shenzhen, sinal de que a parceria com fornecedores chineses deve continuar. Até que a Meta mostre o robô em público, especificações e planos seguem como informações de bastidores, e qualquer previsão de chegada ao mercado, inclusive ao brasileiro, seria especulação.
Fontes e referências
- The Information — Meta Built Humanoid Prototype With Chinese Startup To Ramp Up Robotics Push (conteúdo para assinantes; apenas título e autoria consultados)
- Engadget — Meta reportedly built a humanoid robot prototype that can do household chores
- The Next Web — Meta built a humanoid robot with China’s Fourier, The Information reports
- Humanoids Daily — Meta Reportedly Built “Max” Humanoid With Fourier, With a Second Version Underway
- Engadget — Meta is reportedly working on humanoid robots that help with chores
- Engadget — Meta acquires robotics AI startup as it makes the push into humanoid machines
- NVIDIA — NVIDIA Blackwell-Powered Jetson Thor Now Available, Accelerating the Age of General Robotics
- Wikipédia — Fourier (company)
