Cursor deve perder modelos da OpenAI em 12 de novembro após compra pela SpaceX

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Os usuários do Cursor, editor de código com inteligência artificial popular entre programadores, devem perder o acesso aos modelos da OpenAI no dia 12 de novembro, daqui a uma semana. A data foi proposta pela própria OpenAI em agosto, quando anunciou que vai encerrar o contrato de fornecimento com a ferramenta depois que ela passou a pertencer à SpaceX, de Elon Musk. “Estamos tomando essa decisão porque não podemos ter certeza de que a SpaceX usará nossa tecnologia de acordo com nossos termos de serviço”, afirmou a empresa, segundo a CNBC.

A ruptura mistura negócios e uma briga pessoal antiga entre Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, e Musk. Para quem programa, a consequência é prática: quem usa modelos da OpenAI dentro do Cursor precisa decidir para onde migrar antes do prazo.

Por que o Cursor agora é da SpaceX

O Cursor é criado pela Anysphere, startup que a SpaceX decidiu comprar por US$ 60 bilhões, numa operação paga inteiramente em ações e anunciada em junho, como relatou a Reuters, em texto publicado pela CNN Brasil. A aquisição foi concluída em 14 de agosto, de acordo com documentos financeiros citados pela CNBC. Antes disso, a SpaceX já havia absorvido o X e a xAI, empresa que desenvolve o chatbot Grok.

Com a mudança de dono, a OpenAI acionou uma cláusula do contrato. Segundo a Reuters, o acordo com o Cursor dava à empresa um prazo limitado para rescindir o fornecimento após “uma mudança de controle”. Em seu blog, a OpenAI afirmou que notificou a SpaceX da intenção de encerrar o contrato, “com uma data de desligamento proposta de 12 de novembro de 2026”, conforme trecho reproduzido pela InfoWorld.

Os argumentos da OpenAI e a resposta de Musk

A OpenAI justificou a decisão com o histórico das empresas de Musk. De acordo com a CNBC, a empresa citou sua “experiência com empresas de Elon Musk violando contratos” e afirmou, segundo a InfoWorld, que o antigo Twitter quebrou os termos de um contrato depois de ser comprado pelo empresário. O Engadget acrescenta que a OpenAI decidiu manter o cancelamento na data mais distante permitida, mas sem fornecer novos modelos ao Cursor, e que a empresa disse ter uma nova responsabilidade de garantir que seu próximo modelo, chamado Astra, seja usado de acordo com seus termos.

Musk respondeu no X na madrugada seguinte. “Não poderia me importar menos”, escreveu, antes de chamar Altman e Greg Brockman, presidente da OpenAI, de indignos de confiança, segundo a Reuters. A troca de farpas é a continuação de uma disputa judicial: Musk processou a OpenAI pedindo US$ 150 bilhões, e um júri federal decidiu contra ele neste ano, por entender que a ação foi apresentada tarde demais. Musk foi um dos primeiros investidores da OpenAI, lembra o Engadget, antes de romper com Altman e levar a disputa aos tribunais.

Tanques, tubulações e caminhonetes atrás de uma cerca em uma área industrial da SpaceX sob céu azul
Instalações da SpaceX em Starbase, no Texas: a empresa de Musk comprou a dona do Cursor por US$ 60 bilhões. Foto de 2021: Alexander Hatley / CC BY 2.0

Quanto o Cursor depende da OpenAI

O impacto parece limitado. Michael Truell, cofundador e presidente-executivo do Cursor, disse no X que os modelos da OpenAI atendem cerca de 5% do tráfego de usuários da ferramenta e que a equipe conversava com a OpenAI para resolver a situação, segundo a CNBC. “Confiamos na plataforma deles como uma infraestrutura neutra para o nosso negócio”, escreveu Truell, ao lembrar que o Cursor foi um dos primeiros clientes da OpenAI.

A concorrência agiu rápido. Horas depois do anúncio, Tom Brown, um dos cofundadores da Anthropic, escreveu que a empresa vai “continuar aumentando a capacidade computacional para dar suporte aos modelos Claude no Cursor”, segundo a CNBC. A Anthropic, que já foi alvo de investigações nos EUA ao lado da OpenAI, mantém uma parceria com a SpaceX e aluga capacidade de processamento da empresa de Musk. Analistas ouvidos pela InfoWorld avaliam que o Cursor está em posição melhor para manter clientes, porque as empresas podem continuar na plataforma usando outros modelos.

O que muda para quem usa o Cursor

Para programadores no Brasil e em outros países, a principal tarefa é revisar quais modelos estão configurados no editor. Quem usa os modelos da OpenAI no Cursor deve testar alternativas disponíveis na própria ferramenta antes do dia 12, para não ser surpreendido no meio de um projeto. Equipes que dependem especificamente da OpenAI também podem avaliar outras plataformas de programação, como sugerem os analistas consultados pela InfoWorld, que destacam o custo de trocar de fornecedor.

Há uma incerteza importante. Tanto a OpenAI quanto a CNBC tratam 12 de novembro como data “proposta”, e o Engadget informa que o Cursor pode escolher encerrar antes. Até a publicação desta reportagem, o MUNDOTOPIA não encontrou anúncio de acordo entre as empresas nem de mudança no prazo. A disputa mostra como a concentração de empresas de inteligência artificial nas mãos de poucos grupos pode afetar diretamente as ferramentas que programadores usam no dia a dia.

Fontes e referências

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