Novo material desenvolvido em Israel combina gelo, nanocristais vegetais e proteínas especiais. A descoberta pode revolucionar a construção de estruturas em regiões extremamente frias, como o Ártico e a Antártida.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, desenvolveu um material inovador chamado BioPykrete, conhecido como “supergelo”. Segundo os cientistas, ele apresenta resistência mecânica até dez vezes superior à do gelo convencional e consegue absorver aproximadamente 70 vezes mais energia antes de se romper.
O estudo, divulgado em outubro de 2026, foi publicado na revista científica Colloids and Surfaces B: Biointerfaces. A descoberta abre possibilidades para o desenvolvimento de materiais de construção mais sustentáveis, especialmente em ambientes de temperaturas extremamente baixas.
Como funciona o supergelo?
O segredo do BioPykrete está na combinação de três componentes: gelo, nanocristais de celulose extraídos de plantas e uma proteína especialmente desenvolvida para conectar esses materiais.
Os nanocristais ajudam a impedir a propagação de rachaduras. Já a proteína atua como uma espécie de cola molecular, fortalecendo a ligação entre o gelo e a celulose. Essa estrutura permite que o material suporte forças maiores e se deforme gradualmente, em vez de se quebrar de maneira repentina.

Supergelo pode substituir o concreto?
Embora sua resistência se aproxime da apresentada por determinados materiais de construção convencionais, os pesquisadores ressaltam que o BioPykrete ainda está em fase experimental. Entre suas possíveis aplicações estão construções temporárias em regiões polares, estruturas científicas e projetos de engenharia em locais onde transportar concreto e aço representa um desafio logístico.
Uma das vantagens potenciais é o menor impacto ambiental, já que seus principais componentes são água e materiais de origem vegetal. Entretanto, o supergelo não substitui o concreto em condições normais de temperatura. Sua utilização depende de ambientes suficientemente frios para preservar sua estrutura.
O desenvolvimento do supergelo BioPykrete demonstra como a ciência está encontrando novas maneiras de combinar materiais naturais e tecnologias avançadas. Essa transformação também acontece em outras áreas da pesquisa, especialmente com o avanço da inteligência artificial. Para entender como essa tecnologia está contribuindo para novas descobertas, confira nosso artigo sobre o que é inteligência artificial e como ela está transformando o mundo.
Uma ideia que surgiu durante a Segunda Guerra Mundial
O BioPykrete representa uma evolução do Pykrete, material desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial. Na época, pesquisadores britânicos estudaram a possibilidade de construir um porta-aviões utilizando gelo reforçado com fibras de madeira.
O projeto acabou abandonado devido aos custos e às dificuldades operacionais. Mais de oito décadas depois, a engenharia molecular permitiu aprimorar significativamente o conceito.
Quais são os próximos passos?
Os cientistas pretendem investigar a durabilidade do BioPykrete, seu comportamento diante de mudanças de temperatura e sua capacidade de suportar esforços mecânicos durante períodos prolongados. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda serão necessários estudos adicionais antes de qualquer aplicação comercial em larga escala.
A descoberta demonstra como a combinação entre biotecnologia e engenharia de materiais pode contribuir para o desenvolvimento de soluções inovadoras e ambientalmente mais sustentáveis.
Fonte original: ScienceAlert — A New Super Ice Is 10 Times Stronger
Fonte científica: Colloids and Surfaces B: Biointerfaces

Um comentário em “Cientistas criam “supergelo” 10 vezes mais resistente que o gelo comum e com força próxima à do concreto”