iPhone Duo chega ao Brasil por R$ 21.999 entre elogios nos reviews e relatos de tela trincada

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O iPhone Duo, celular dobrável que a Apple apresenta como o primeiro iPhone com esse formato, chegou às lojas do Brasil e dos Estados Unidos em 23 de outubro com uma recepção dividida. As primeiras análises da imprensa especializada elogiam o acabamento, o desempenho e a bateria, mas criticam o peso, a câmera sem lente teleobjetiva dedicada e os aplicativos que ainda não se adaptam à tela grande. Poucos dias depois do lançamento, relatos de telas internas trincadas levaram a Apple a admitir um problema em parte das unidades. No Brasil, o modelo de entrada custa R$ 21.999.

O que é o iPhone Duo

A Apple anunciou o aparelho em 9 de setembro e o descreve, no comunicado oficial de lançamento, como “o primeiro iPhone dobrável”. Fechado, ele funciona como um celular compacto, com tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, revela uma tela interna de 7,6 polegadas, mais próxima de um tablet pequeno. As duas telas são OLED e têm taxa de atualização de até 120 Hz.

Segundo a empresa, a dobradiça reúne mais de cem componentes e sustenta o centro da tela para que ela fique plana quando aberta. A tela interna recebeu um acabamento fosco chamado nanotextura, que, de acordo com a Apple, diminui a visibilidade da dobra. O corpo usa titânio, o aparelho pesa 254 gramas e tem 5,2 milímetros de espessura aberto e 11,3 milímetros fechado. Por dentro está o chip A20 Pro, o mesmo da linha iPhone 18 Pro.

Algumas escolhas fogem do padrão recente da marca. O desbloqueio é feito pelo Touch ID, com o leitor de digital no botão lateral, e não pelo reconhecimento facial Face ID. O conjunto traseiro tem duas câmeras de 48 megapixels, uma principal e uma ultra-angular, e o zoom de 2x sai de um recorte da câmera principal. O aparelho também aceita só eSIM, sem espaço para chip físico. O executivo-chefe da Apple, John Ternus, definiu o modelo no comunicado como a mudança mais transformadora no iPhone desde o original.

iPhone Duo nas cores branca e azul-escura, com a traseira de duas câmeras e a tela externa à mostra
O iPhone Duo nas cores branco-estrela e céu noturno, com duas câmeras traseiras de 48 MP. Foto: Divulgação/Apple

Preço do iPhone Duo no Brasil

O Brasil entrou na primeira leva de países, com pré-venda a partir de 16 de outubro e vendas desde o dia 23. Na loja online da Apple no Brasil, os preços variam conforme o armazenamento e são os mesmos para as duas cores, branco e azul-escuro:

  • 256 GB: R$ 21.999
  • 512 GB: R$ 23.499
  • 1 TB: R$ 26.499
  • 2 TB: R$ 30.999

Nos Estados Unidos, o preço inicial é de US$ 1.999. A capa oficial custa R$ 829 no Brasil, e a capa tipo carteira com apoio sai por R$ 1.299. Com a capa tipo carteira, a versão de 2 TB chega a R$ 32.298 na loja oficial, valor que pesa na decisão de quem considera trocar um iPhone tradicional pelo dobrável.

O que dizem os primeiros reviews

As análises publicadas em 21 de outubro, reunidas em compilações do Macworld e do iPhone in Canada, concordam que o hardware impressiona. A Wired afirma que a dobra “quase não aparece”, graças ao acabamento fosco, e a PCMag conclui que o modelo entrega o melhor conjunto de hardware, desempenho e bateria entre os dobráveis à venda. O Tom’s Guide o chamou de dobrável mais bem projetado até agora, com o software mais polido da categoria. O site também destacou que o preço fica só US$ 100 acima do Galaxy Z Fold 8, da Samsung.

A bateria rendeu bem nos testes de laboratório, embora os números variem com o método. O Engadget registrou 28 horas e 48 minutos de reprodução de vídeo armazenado no aparelho, e a PCMag mediu 18 horas e 15 minutos de streaming no YouTube com a tela interna no brilho máximo. Já o Tom’s Guide obteve 13 horas e 20 minutos de navegação na web, resultado acima do Galaxy Z Fold 8, mas abaixo das 17 horas e meia do iPhone 18 Pro Max.

As críticas: peso, câmera e aplicativos

O peso é a queixa mais frequente nas análises reunidas pelo site iPhone in Canada. A câmera também divide opiniões: o Tom’s Guide lamenta a falta de uma teleobjetiva dedicada em um aparelho desse preço, e o The Verge notou que os detalhes finos saem mais “crocantes”, efeito de nitidez artificial, do que no iPhone 18 Pro. O mesmo veículo relatou que o celular esquenta e chamou o iPhone Duo de um dos produtos de primeira geração mais confusos da Apple em muito tempo.

Os aplicativos de terceiros formam o ponto mais sensível. A Apple redesenhou os próprios apps para a tela grande e trouxe o recurso Split View, que abre dois aplicativos lado a lado, permitindo, por exemplo, conversar com a Siri AI de um lado enquanto se lê um conteúdo do outro. Muitos apps de outras empresas, porém, ainda não receberam a atualização. A Wired disse que vários deles ficaram “horríveis” na tela de 7,6 polegadas, e o Tom’s Guide encontrou grandes faixas pretas em serviços como o Disney+. A troca do Face ID pelo Touch ID também exigiu, segundo a PCMag e o Gizmodo, reaprender gestos que os usuários de iPhone repetem há anos.

Relatos de tela trincada e a resposta da Apple

Logo após o início das vendas, donos do aparelho começaram a publicar fotos de telas internas com rachaduras ao longo da dobradiça, muitas delas no mesmo ponto da metade inferior. Alguns usuários contaram que sentiram a dobradiça travar e ouviram um estalo antes do dano aparecer. Em 26 de outubro, a Apple enviou ao MacRumors uma nota em que reconhece “um problema que afeta a tela interna de um pequeno número de unidades do iPhone Duo” e orienta quem tiver o defeito a procurar o AppleCare para fazer a troca.

A empresa não informou a causa nem se prepara uma correção mais ampla. Na desmontagem do aparelho, o iFixit levantou hipóteses como pressão, uma partícula presa, dobras repetidas ou defeito de fabricação, e lembrou que uma falha na fiação pode produzir o mesmo efeito visual de uma tela quebrada. Até agora, nenhuma dessas possibilidades foi confirmada. A escala do problema também é incerta, porque, segundo o MacRumors, parte das imagens que circulam nas redes foi gerada por inteligência artificial.

Na mesma análise do iFixit, o iPhone Duo recebeu nota provisória de reparabilidade de 5 em 10, acima dos 4 pontos atribuídos ao Galaxy Z Fold 8 e ao Pixel 11 Pro Fold. O iFixit o classificou como o dobrável mais fácil de consertar que já avaliou, mas avisou que o reparo continua difícil.

Vale a pena comprar agora?

Para quem pensa em comprar, o momento pede cautela. O hardware recebeu elogios quase unânimes, mas parte da experiência ainda depende de os desenvolvedores atualizarem seus aplicativos, e o problema na tela continua sem causa conhecida. Alguns analistas, como a Wired e o jornal australiano WAtoday, sugerem esperar a segunda geração. Quem comprar deve guardar a nota fiscal e acionar a garantia ou o AppleCare ao primeiro sinal de defeito na tela.

A Apple informou que o Apple Pencil com conector USB-C passará a funcionar no iPhone Duo ainda este ano. Os próximos passos mais importantes, porém, envolvem a explicação sobre as telas trincadas e o ritmo com que os aplicativos populares vão se adaptar ao formato. Essas duas respostas devem definir se o primeiro dobrável da Apple vai virar referência na categoria ou ficar marcado como uma estreia irregular.

O dobrável se soma a outras apostas recentes da Apple para ampliar o uso dos seus aparelhos: a empresa também aposta em jogos de console no celular e lançou o HomeView, um hub de casa inteligente com Siri AI.

Fontes e referências

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